Introdução | Barbatanas Blog

Olá a todos!

Este blogue é dedicado à minha grande paixão - animais aquáticos e a um emocionante hobby - aquariofilia.
Espero que através deste espaço possam conhecer, proteger e quem sabe acolher alguns seres fascinantes destas nossas belas água tão ameçadas...
Desde pequenas rãs a grandes tubarões, passando pelos místicos cantos das baleias e as extravagantes cores dos peixes de recife, este será o espaço que vos trará paz, conhecimento e entretenimento.

Convido-vos a envolverem-se, discutirem os mais diversos assuntos e a sugerirem futuras publicações, porque este espaço não é meu, é nosso!

Assim sendo, bem-vindos a casa!

Agressivo vs Territorial | Barbatanas Blog

Olá a todos! Novo ano, nova vida, certo?!

Aqui à uns tempos respondi a uma pergunta num grupo de aquariofilia sobre comportamento de peixes. A questão focava-se numa espécie de peixes e se estes são agressivos ou não. E aí está o problema.

Vamos por partes! Por definição:
  • Agressivo: Que é capaz e agredir, de atacar; em que há ou expressa agressão. s.m. Indivíduo que tende a se comportar hostil e destrutivamente. (Fonte)
  • Territorial: Que defende ou tende a defender o seu território. (Fonte)
Ora, posto isto, podemos deduzir que um peixe ou outro animal agressivo, tende a atacar por forma a prejudicar outro, seja ele da mesma espécie ou de espécies diferentes. Territorial, por sua vez, é um animal relativamente pacífico para com outros, excepto casos em que o seu território está ameaçado ou foi transposto.

Assim sendo, vamos a um exemplo, que era o caso da dúvida exposta. Um Pulvichromis pulcher (vulgo, Kribensis), é territorial ou agressivo?


Eu responderia, territorial! Mas haverá alguém que diz "Ah e tal e quando tem crias?". A minha resposta mantém-se. Ora, apesar de parecer que o casal se torna mais agressivo, de facto eles ficam é menos tolerantes.
Imaginemos que estão num aquário gigante, digamos 5m quadrados. Os Kribensis não atacam deliberadamente qualquer peixe que vêem, mas sim, expulsam-nos do local onde efectuaram a postura ou onde têm as crias, de tal forma que, se nenhum indivíduo se aproximar dessa zona, o casal permanecerá de guarda às crias tal como se não existisse mais nenhum peixe no aquário.

Espero que tenham ficado com menos dúvidas quando tentam definir o comportamento de determinado peixe!

Fiquem bem e... Até à próxima!

Parte V - Manutenção de um Aquário | Barbatanas Blog

Olá a todos!

Espero que os vossos novos animais de estimação se tenham adaptado bem à sua nova casa. Tudo correu bem e sem complicações, certo?
Bem, agora não basta deixá-los no aquário e alimentar todos os dias, há que ter alguma disciplina em relação à manutenção, mas se fizerem tudo como deve de ser, não vos ocupará mais que 1h por semana, 2h no máximo se precisarem de intervir mais agressivamente.



Portanto, comecemos pelo início:

-Alimentação: Os vossos peixes/invertebrados necessitam de serem alimentados cerca de 2 a 3 vezes todos os dias, variando ao máximo o tipo de alimentos que lhes oferecemos. Existem diversas opções no mercado, desde flocos, granulado, alimento liofilizado, congelado, pastilhas, para herbívoros, para carnívoros, etc. Existe praticamente de tudo. Aliás! Até podem confeccionar em casa o alimento para os vossos habitantes!

-Parâmetros: Todos os dias devem verificar a temperatura. Semanalmente devem verificar pH, Amónia, Nitritos e Nitratos. Geralmente em testes rápidos de fitas, estes são os que estão incluídos. Se tiverem peixes sensíveis, provavelmente também irão querer testar Kh e Gh. Se tiverem um aquário plantado, testar o Ferro e o CO2 não será má ideia de todo!

-Equipamentos/TPA's: Semanalmente ou Quinzenalmente irão querer fazer uma TPA e utilizar essa água do aquário para limpar as matérias filtrantes. Aspirem os resíduos do areão para não existir acumulação de matéria em decomposição. Não se esqueçam que podem utilizar a água do aquário para regar as plantas do jardim, já que é rica em nutrientes. Verifiquem se a vossa garrafa de CO2 ainda está suficientemente cheia ou se é necessário trocá-la. De 6 em 6 meses devem trocar as lâmpadas, mesmo que vos pareçam bem a sua eficiência diminuiu.

-Outros: Sempre que necessário retirem as folhas e peixes mortos, e reponham água ao aquário. Fertilizem também as plantas de acordo com o vosso plano de fertilização. Caso existam, limpem as algas que possam ter aparecido e verifiquem se as plantas necessitam de serem podadas.

Podem utilizar esta tabela, como guia ou podem fazer uma nova, semelhante a essa, como forma de controlar o que têm que fazer. 

Nunca se esqueçam: estão a lidar com seres vivos que dependem inteiramente de vocês, por isso, tratem-nos da melhor forma, tal qual como tratariam um cão ou um gato!

Fiquem bem e... Até à próxima!

Consultem os outros artigos da série "Introdução à Aquariofilia"
-Parte I
-Parte II
-Parte III
-Parte IV

Iluminação Económica | Barbatanas Blog

Olá a todos!

Como sabem, a situação económica pela qual passamos, não é a mais confortável, no entanto, mesmos com os cordões apertados, também precisamos de relaxar e desanuviar a cabeça dos problemas diários, correcto?

Felizmente, os caros leitores encontraram o passatempo perfeito, visitar o meu blog! Brincadeira :P A Aquariofilia, como é claro. No entanto, não é um hobby propriamente barato, principalmente se nos dedicamos mais à parte de aquascaping e queremos com todas as nossas forças, ter um aquário cheio de plantas belas, para depois criar alguma inveja aos nossos amigos (vocês fazem-no e sabem que sim, não mintam!). Ora, ter plantas = ter luz. É verdade que existem muitas plantas que se dão perfeitamente bem a condições de baixa luminosidade, mas e aquelas que precisam de uma radiação mais forte?

Pois bem, trago-vos a solução: Lâmpadas Compactas Económicas.

Isto tudo começou porque os componentes electrónicos da minha calha decidiram ter um encontro romântico com a Sra. H2O e houve uma faísca entre os dois.

Assim, fui à procura de soluções online para o meu problema até que por mero acaso lembrei-me de pesquisar sobre estas lâmpadas. E não é que não sou o primeiro a ter esta ideia?

Ora, o truque está em arranjar lâmpadas com a temperatura entre os 6400/6500K. Depois podem optar por algumas soluções em como incorporar isso no aquário: ou fazem um projecto para alterar a vossa calha existente, fazer uma nova, ou então, a minha favorita e para quem não percebe nada de bricolage, comprar uns cadeeiros de mola/clip e prender no vidro do aquário.



O aspecto final ficou bastante agradável e se quiser andar a remexer no aquário basta levantar o candeeiro, pois escolhi uns com braço regulável.



Ainda estou em fase de testes, no entanto tive um problema com algas, que se deve a excesso de Nitratos na água, solução: TPA's para cima!

Já agora, a título de curiosidade, o preço de 3 candeeiros e das 3 lâmpadas económicas E27 ficou-me a 33€, muito melhor do que os +100€ que pedem por uma calha de lâmpadas t5 toda xpto.

Qualquer dúvida não hesitem em perguntar!

Fiquem bem e... Até à próxima!

Introdução à Aquariofilia - Parte IV - Ambientar os vossos animais

Olá a todos!

Depois de umas merecidas férias, eis que retorno ao Barbatanas. Portanto, na última publicação ficámos nos parâmetros da água para que tudo esteja OK para os vossos novos inquilinos.

Agora, é hora de inseri-los, finalmente, no aquário! Se ainda têm dúvidas no que adquirir, vejam esta publicação para terem umas ideias.

Eis o que aconteceu, foram à loja, viram uns peixes sob os quais já tinham alguma (lei-se bastante) informação, estão dentro das espécies que são apropriadas às condições do vosso aquário, certificaram-se de que os peixes estão activos, sem doenças, falta de escamas, barbatanas em boas condições e que estão a comer correctamente, certo? 

Quando vão comprar algum animal, devem ter pelo menos estes factores em consideração, a fim de não ficarem com nenhum desgosto nem de terem prejuízo na carteira.

O trajecto loja de animais -> casa, deve ser ser o mais curto e rápido possível (atenção ao excesso de velocidade! :P ).

Agora que estão em casa, ambram o saco e dobrem a parte de cima algumas vezes, de forma a que fique a flutuar sem auxílio no aquário. Enquanto o saco está no aquário, a temperatura das águas irá igualar, mas este é o menor dos vossos problemas!

O choque de pH é muito mais grave. Para minimizarem as diferenças de pH entre a água da loja e a do vosso aquário, deverão adicionar metade de um copo de água do aquário a cada 15min, durante 1h, mas poderão aumentar o tempo, assim como diminuir o volume de água que adicionam, se tiverem comprado espécies mais delicadas.

Passado este tempo, estão prontos para soltarem as vossas adições ao tanque, com o auxílio de uma rede (nunca utilizem as mãos, nem deitem a água do saco para dentro do aquário, pois poderá ter doenças e parasitas indesejados).

Se por acaso tiverem um aquário extra, com os mesmos parâmetros, pronto para ser um aquário hospital ou um tanque de quarentena, deverão preferi-lo para ambientar os peixes, pois assim evitarão que possíveis doenças proliferem no vosso aquário principal. Os peixes/invertebrados deverão ficar neste aquário de quarentena, pelo menos, duas semanas.

Desejo tudo de bom para vocês e para as vossas novas mascotes! Mas a série de publicações ainda não chegou ao fim. Agora que têm os vossos primeiros habitantes, a aventura vai começar!

Fiquem bem e... Até à próxima!

Consultem os outros artigos da série "Introdução à Aquariofilia":


Introdução à Aquariofilia - Parte III | Barbatanas Blog

Olá a todos!

O ciclo do azoto está concluído, as plantas estão a crescer e o que queremos agora é colocar peixes, certo?

Calma!

Precisam de saber que peixes podem colocar no vosso aquário. "E porque é que não podemos pôr qualquer um?", perguntariam vocês.

Bem, a resposta é simples. Nem todos os peixes têm a mesma origem, logo, estão adaptados a condições diferentes e a parâmetros diferentes que deverão recriar no vosso aquário. Os nitratos, nitritos e a amónia, são relativamente standard, existem organismos mais resistentes a valores mais altos, mas deverão sempre ser o mais baixo quanto possível, idealmente <40ppm, 0ppm e 0ppm, respectivamente.

"Que outros factores influenciam o bem estar dos nosso organismos, então?"
O pH, o gH e kH, assim como a temperatura e a salinidade afectam tanto a sobrevivência como a reprodução de muitos organismos aquáticos, como estamos a falar de aquários de água doce, vamos desprezar a salinidade, pois não iremos adicionar sal marinho à água, nem fazer TPA's com água do mar.

A temperatura é possivelmente o parâmetro mais fácil de controlar e alterar, uma vez que já temos o nosso termostato completamente funcional.

O pH é o valor de acidez da nossa água e a capacidade para neutralizar protões (cargas positivas). Os seus valores vão desde 0 (muito ácido) a 14 (muito básico ou alcalino). Quando substâncias nos extremos da escala são misturadas, estas anulam-se, e obtém-se pH = 7 que é neutro. Mas não se deixem enganar pelos valores. Suponhamos que um peixe dá-se melhor em pH de 6 e o nosso do aquário é 7. É apenas a diferença de um número, não faz mal nenhum, certo? ERRADO! Uma água com pH 6 é 10 vezes (!) mais ácida que uma de pH 7, e o mesmo acontece para valores básicos. pH 9 é 10 vezes mais básico que pH 8 e 100 vezes mais alcalino que pH 7. Por isso tenham muita atenção a este parâmetro.

Para corrigir os valores do pH existem aditivos químicos que podem fazer baixar ou subir o pH, dependendo da necessidade. A turfa para aquário é um exemplo de algo que podem adicionar ao filtro para baixar o valor de pH, e conchas ou rochas calcáreas fazem o oposto.



O gH já se torna um pouco mais complexo, pois é a quantidade de todos os minerais dissolvidos na água, tais como, Cálcio, Magnésio, Enxofre, etc. e mede a dureza geral da água. Águas mais duras têm geralmente pH's mais altos e águas menos duras, pH's mais baixos. Este parâmetro deve ser medido, pois os minerais presentes na água são essenciais para a formação de estruturas e para o correcto funcionamento dos organismos.

O kH, muitas vezes confundido com o gH é a capacidade da água não alterar o seu valor de pH quando um ácido á adicionado, ou seja, é a capacidade tampão da água. Isto é importanto, pois assim, o pH oscilaria bastante caso o vosso kH fosse demasiado baixo. No entanto também não poderá ser demasiado alto, caso contrário, quando quisessem alterar o pH, esse processo levaria muito mais tempo e seria preciso um maior esforço para o alterar.

Espero que vos tenha trazido algumas luzes a este tema que é a Química da Água. Se tiverem interessados em mais informação, consultem o artigo neste fórum e neste site.

Na próxima publicação iremos mostra-vos como ambientar correctamente os vossos peixes ou invertebrados. O tão esperado momento!

Fiquem bem e... Até à próxima!

Consultem os outros artigos da série "Introdução à Aquariofilia"

Introdução à Aquariofilia - Parte II | Barbatanas Blog

Olá a todos!

Hoje o tema é um pouco mais científico, mas é possivelmente, o mais importante para a aquariofilia. Vamos falar do ciclo do azoto!

O azoto (N) é um composto utilizado pelas algas e plantas e sem o qual, estas não sobrevivem.

Nos oceanos, o Nitrato é a forma de azoto que está mais disponível, no entanto, é a de mais difícil assimilação, sendo que as microalgas utilizam mais facilmente a Amónia, apesar deste composto ser bastante instável em águas oxigenadas e de ser rapidamente reduzido a Nitrito.

Mas estou para aqui a falar em tantos nomes, mas afinal o que são eles?!



Bem, o ciclo do azoto é um ciclo onde este composto aparece em diferentes formas, primeiro em Amónia (NH4), o mais tóxico dos três, é reduzido a Nitrito (NO2) por umas bactérias chamadas de Nitrosomonas e é o composto menos abundante na água do mar, por ser um composto intermédio. Este, por sua vez é reduzido a Nitrato (NO3) por outras bactérias, as Nitrobacter, sendo esta a forma de azoto menos tóxica e termodinamicamente mais estável em água oxigenadas.

Pois bem, de uma forma simples, este é o ciclo do azoto. Mas porque é que é tão importane?

Tal como referi, a Amónia é o composto mais tóxico, e como tal, precisa de ser convertido a Nitritos e a Nitratos. Mas como os aquários são pequenos habitats criados por nós, é necessário que se estabeleçam colónias de bactérias a fim de degradarem estas moléculas.

Então e o que se pode fazer?

Pois bem, nesta altura já compraram os equipamentos necessários, caso não saibam quais são, vejam este artigo do Barbatanas. Portanto, a fase seguinte é montar o aquário! A parte que mais gosto! hehehe Coloquem o areão e substrato fértil, caso necessitem do mesmo, coloquem todos os materiais de decoração, sejam eles troncos, rochas, barcos naufragados, baús, etc, plantem a gosto, montem o filtro e o termostato e encham o aquário de água. Simples certo?

Agora vem a parte mais chata - a espera... É aconselhado que esperem 1-2 semanas antes de introduzirem os primeiros peixes, no entanto existem técnicas que poderão diminuir este tempo de espera. 

  1. Podem adicionar um activador de bactérias.
  2. Podem ir deitando flocos de comida no aquário, mas pouca!
  3. Podem adicionar peixes resistentes (menos aconselhado a iniciantes, pois estamos a lidar com seres vivos e que poderão morrer devido à pouca experiência do aquariófilo).
Como sabemos se o aquário já está ciclado?

Lembram-se do kit de teste? É aqui que entram! Testem para a Amónia, se der zero, testem para Nitritos e assim sucessivamente. Caso a Amónia ou os Nitritos não estejam dentro dos valores ideais, é porque o aquário não está ciclado. Se os Nitratos estiverem fora dos parâmetros aconselhados, é altura de fazerem uma troca de água! E preparem-se, pois em breve terão os vossos primeiros habitante.

Troca de água? Que água posso utilizar?

Bem me parecia que esta seria uma longa publicação :P
Podem utilizar água canalizada, desde que devidamente tratada, quer em termos de pH, temperatura, quer em termos de cloro. Para retirar o cloro, basta deixar a água repousar 24-48h ou utilizar um produto à venda nas lojas de especialidade.

Pois bem, caríssimos leitores, por hoje é tudo. No próximo artigo, irei abordar alguns parâmetros essenciais para o bem estar dos vossos novos inquilinos.

Se quiserem saber mais sobre o ciclo do azoto, consultem este blog e este, onde para além de explicarem o ciclo, ainda indicam quais os valores esperados quando montam um novo aquário. Vejam também os artigos relacionados com este tópico neste último site, são bastante interessantes!

Fiquem bem e... Até à próxima!

Não se esqueçam de consultar os outros artigos da série: "Introdução à Aquariofilia"